Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012

Reabre dia 5 de Março!

A Piscina Municipal vai finalmente reabrir, no próximo dia 5 de Março. Encontrava-se fechada por tempo indeterminado sem que ninguém tenha percebido ao certo quais as razões que motivaram essa decisão.

Certo é que o desporto escolar foi amplamente prejudicado. O ano lectivo encontra-se a meio e os jovens Valpacenses viram-se privados de frequentar este equipamento público. De resto, não será fácil fazer regressar os munícipes, jovens ou menos jovens, que entretanto começaram a frequentar as piscinas dos vizinhos concelhos, nomeadamente Mirandela.

Parece que com esta medida a autarquia poupou umas milenas de euros. Poderiam ter gerado poupança, mas os Valpacenses ficaram a perder. Não é agradável pagar impostos municipais e nacionais para ter que levar um filho a outro Concelho frequentar a piscina municipal.

Perdem também os que criticam a falta de políticas públicas que promovam crescimento e coesão territorial no interior. Quando somos nós a encerrar aquilo que deveríamos promover e estimular, afastando com isso os munícipes da nossa terra, não podemos criticar as machadadas que nos vão dando nos gabinetes do Terreiro do Paço.

Estas piscinas têm uma história muito infeliz. São um exemplo gritante de falta de planeamento. Mau planeamento que trás consequências nefastas a vários níveis. Foram tidas em conta as medidas que a Federação Internacional de Natação determina para uma piscina semi-olímpica? Hoje já ninguém se lembra disso mas na altura da sua concepção foram vários os que alertaram para o problema que isso constitui.

As deficiências técnicas originam nos tempos que correm elevados gastos de manutenção. Por outro lado, trata-se de um equipamento público que necessitava de uma gestão mais profissional, ou seja, com pelo menos um Professor de Educação física a tempo inteiro, com programação adequada para várias idades, capaz de atrair e estimular os Valpacenses à prática da natação e fazendo da piscina também um espaço de lazer e bem-estar.

Infelizmente assim não tem acontecido e por isso mesmo, os Valpacenses perderam o hábito de frequentar as piscinas. Mas o desporto escolar precisa deste equipamento e privar os alunos de desporto das nossas escolas da prática da natação é um erro crasso que eu espero não se venha a repetir no próximo ano lectivo.

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Domingo, 1 de Janeiro de 2012

Annus horribilis

O ano que agora finda foi sem dúvida um ano de má memória para os Valpacenses. O encerramento do Hospital de Nossa Senhora da Saúde, edifício construído com a esmola e o suor do povo, na primeira metade do século passado e posteriormente entregue à Santa Casa da Misericórdia de Valpaços para que o Estado dele não se apoderasse, constitui-se como a maior chaga social de que há memória no Concelho de Valpaços.

As consequências sociais e económicas deste trágico acontecimento estão à vista de todos. Os Valpacenses estão sem Hospital, a economia local debilitou-se ainda mais e 40 famílias foram atiradas para o desemprego.

Será unânime reconhecer que todo este processo foi mal conduzido e orientado. Muitos já terão entendido, que as coisas acabaram por correr muito mal e poderiam ter tido outro desfecho. Houve uma enorme precipitação, leviandade de procedimentos e de comportamentos. Estava em causa um bem com utilidade pública e não um negócio qualquer.

De consciência tranquila estarão os que de boa fé e coração aberto procuraram sanear o conflito e evitar uma tragédia há muito anunciada em que pelos vistos só não acreditava quem têm gerido a Santa Casa da Misericórdia de Valpaços.

O desfecho final, está portanto à vista. Se o problema estava na Empresa que o geria, esta acabou por sair, mas o Hospital acabou também por encerrar, por manifesta incapacidade e incompetência de quem no dia 6 de Janeiro, mediante via judicial, solicitou a sua posse e não conseguiu assegurar a gestão da unidade que se encontrava a funcionar normalmente. Fechou portas nas mãos de quem se predispunha a praticar preços sociais e prometia mundos e fundos, alimentando sucessivas inverdades ao longo de todo este processo, chegando mesmo a desrespeitar o poder político local.

O caro leitor, volte a ler esta notícia, publicada no JN, em Fevereiro do ano passado. (clique aqui).

De todos os Hospitais que funcionavam em iguais circunstâncias, o  Hospital de Valpaços foi o único que encerrou portas, conforme podemos observar na imprensa nacional. (clique aqui). O Estado renovou todos os protocolos com as várias Misericórdias do país em igual situação, menos com a Misericórdia de Valpaços, que nem capacidade teve para executar as obras necessárias para que tal sucedesse, conforme também noticiado na imprensa nacional. (Clique aqui).

A forma como lidaram com os trabalhadores é também algo verdadeiramente inacreditável, tendo em conta que estamos a falar de uma instituição que se deve reger por valores cristãos. Inicialmente solicitaram-nos por via judicial a 6 de Janeiro para continaurem a prestar serviços, considerando o normal funcionamento do Hospital. Pouco tempo depois, apenas desejam alguns e mais tarde, quando verficam que não têm capacidade para gerir o que estava a funcionar, descartam-nos por completo. Julgo que não será necessário recordar as sucessivas declarações publicadas na imprensa local e regional, sobre este assunto.

Apregoam a moral cristã e os valores éticos mais nobres que o homem pode ostentar, mas não se coíbem de contestar o que os Tribunais já por três (3) vezes decidiram favoravelmente, no que concerne aos Trabalhadores do Hospital.

Concluindo, não há crise onde não se encontre algo de bom. O Provedor está de malas feitas. É vítima dos seus próprios erros e por isso mesmo é dos poucos onde desaguou quase toda a responsabilidade por este desfecho. Por lá ficam quase todos os seus conselheiros, esses bons e misericordiosos homens, mesmo aqueles que nem necessitavam de um lugarzito insignificante, porque até têm agricultura e por lá se sentem muito bem.

Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Será este o portal que Valpaços precisa?

“Valpaços precisa de um portal onde se possa visualizar e conhecer o nosso património religioso, o projecto Via Augustas, o património arqueológico, os moinhos e pontes romanas, o historial das nossas aldeias, enfim, a nossa história, cultura e saber, assentes em segredos ancestrais que se vão perdendo no tempo das gerações que partiram. Aproveitemos o legado que o Professor Adérito Freitas nos deixa.

Mas importa também que este portal divulgue e ajude a promover a aposta que a iniciativa privada tem efectuado no desenvolvimento do turismo rural no Concelho. Que sejam divulgadas essas casas de turismo rural, os restaurantes e outras infra-estruturas, como o parque de campismo.

Um portal que divulgue a rota da castanha, a rota do azeite, a rota das encostas do rabaçal, promovendo o enoturismo e divulgando as iniciativas particulares dos nossos produtores espalhados por todo o concelho.

Um portal que aposte no ecoturismo e mostre a beleza e imensidão da serra da Santa Comba, da Padrela, de Santa Isabel, da Ribeira da Fraga, do Rabaçal e de tantas outras riquezas naturais que compõem o nosso Concelho."


Domingo, 20 de Novembro de 2011

Encerrado!!!


Quem quiser consultar o horário das Piscinas Municipais de Valpaços, no site da autarquia, encontra a seguinte mensagem: “As piscinas interiores encontram-se fechadas por tempo indefinido”.

A mensagem não contém qualquer explicação ou justificação para o facto, sendo o cidadão livre de imaginar o motivo que levou a decisão tão radical e prejudicial para os Valpacenses e para o desporto escolar.

A tenebrosa crise financeira que agora parece justificar tudo, embora para alguns apenas parece existir há meia dúzia de meses a esta parte, poderá estar na origem desta decisão.

Nunca fez tanto sentido os Valpacenses estarem atentos ao próximo Orçamento e Plano de Actividades Municipal, não apenas para fazerem contas à vida e saberem quanto vão pagar de impostos municipais, mas sobretudo para procurar entender que tipo de prioridades assumiu o Município em tempos de crise e se medidas como esta se justificam.

A piscina municipal é uma infraestrutura pública que deve ser potenciada e gerida por quem perceba e entenda o que está a fazer. Não se entende como ao longo destes anos todos, não exista uma escola de natação para crianças, jovens e adultos. Não se entende porque não são potenciadas actividades de hidroginástica, natação para bebés, natação sénior. Sei que há actividades isoladas e que outrora as piscinas tiveram outra dinâmica. Porém é notório que este equipamento está mal gerido e muito pouco potenciado.

Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Biblioteca Municipal

 



Entre estas duas imagens dista um horizonte temporal de quatro anos e um investimento público que rondará o milhão e meio de euros, repartido entre Governo e Autarquia com recurso a financiamento comunitário.

Honra seja feita à Câmara Municipal de Valpaços, pelo projecto, pelo investimento que agora se concretiza, na recuperação de um dos edifícios mais nobres da cidade, património histórico e arquitectónico que deve ser preservado e colocado ao serviço da comunidade.

Agora há que planear a dinamização do espaço. Não creio que uma infraestrutura desta natureza possa ser gerida sem o devido planeamento de actividades e sem profissionais competentes, capazes de rentabilizarem os recursos que este investimento pode oferecer.

De que valerão investimentos como este se não houver um plano municipal de cultura capaz de aproveitar as infraestruturas e promover uma dinâmica interacção entre as instituições culturais do Concelho?

Que conteúdos programáticos deverá contemplar esta Biblioteca Municipal na sua programação?

Na minha opinião, o Município deve promover com os agrupamentos escolares um plano que vise o aproveitamento dos recursos que esta infraestrutura dispõe. Os nossos jovens não precisam de mais um posto internet nem de mais uma Biblioteca no género da que existe no Centro Cultural. Precisam de um espaço lúdico e educacional, com conteúdos audiovisuais e multimédia, com bons livros e enciclopédias para consultar, orientado por profissionais com formação e dinamizado através de parcerias com as Escolas do Concelho.

Este espaço deve essencialmente oferecer recursos que a maioria das famílias não consegue proporcionar aos seus filhos. Isso sim, é serviço público.

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

Plano Nacional para Coesão Territorial

Resolução da Assembleia da República n.º 129/2011

Recomenda ao Governo que crie e dinamize um Plano Nacional para Coesão Territorial no quadro de uma nova estratégia nacional

A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição da República, recomendar ao Governo que:

1 — Elabore e implemente um Plano Nacional para a Coesão Territorial (PNCT), que, especificando metas, acções, entidades responsáveis e calendário de execução, promova a coesão territorial do País através de uma nova estratégia assente no desenvolvimento e geração de riqueza e emprego no interior do País através da potenciação, valorização e fixação de valor dos recursos próprios (naturais, humanos, económicos, sociais e culturais,…) de cada espaço do território nacional.

2 — Proceda à monitorização e avaliação periódica da coesão territorial do País e do impacto na mesma das políticas, programas e grandes projectos públicos, designadamente através da elaboração de indicadores das assimetrias regionais e de um relatório do estado da coesão territorial e da execução do PNCT, a ser apresentado e discutido bianualmente na Assembleia da República.

3 — Assegure a transversalidade e integração do princípio da coesão territorial na concepção e execução das políticas públicas — em particular naquelas que mais eficazmente podem combater as assimetrias regionais e a desertificação e valorizar o território, como sejam as políticas de ambiente, agricultura, turismo, florestas, emprego, empreendedorismo, educação, cultura, investigação científica e inovação, saúde, desenvolvimento regional, obras públicas e de ordenamento do território — e na programação e execução dos fundos estruturais.

4 — Assuma a coesão territorial como princípio e objectivo essencial da reorganização administrativa já iniciada pelo XIX Governo, em particular no âmbito da reforma do poder local e da administração desconcentrada do Estado.

5 — Assegure a coordenação interministerial na promoção da coesão territorial, contribuindo para uma actuação concertada, dinâmica e eficaz do Governo e Administração na matéria.

Aprovada em 21 de Setembro de 2011.

A Presidente da Assembleia da República, Maria da Assunção A. Esteves.

PS:  Esperemos que este PNCT não seja mais um daqueles planos carregados de boas intenções, como até agora tem acontecido. Seja como for, esta iniciativa da Assembleia da República merece ser destacada, considerando a desertificação que assola o interior do país e as graves assimetrias regionais que se têm vindo a acentuar e muito contribuem para o atraso económico, social, cultural e ambiental do país.

Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Valpaços vai "agregar" 10 Freguesias

Alvarelhos, Barreiros, Canavezes, Fiães, Nozelos, Sanfins, Serapicos, Sonim, Tinhela e Veiga de Lila. Segundo um estudo da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) são estas as Freguesias que serão extintas enquanto autarquias, no âmbito da Reforma da Administração Local que o Governo apresentou na semana passada.

Não vou abordar agora a génese nem os fundamentos políticos que motivam esta reforma, dado que no essencial conhecem a minha opinião, que pode ser consultada aqui. (click no link).

A Reforma da Administração Local, tipifica os Municípios em função da sua densidade populacional. Existem Municípios de Nível 1, 2 e 3, sendo que os Municípios de nível 1, têm mais de 500 habitantes por Km2, os de nível 2 têm entre 100 e 500 habitantes por Km2 e os de Nível 3 têm menos de 100 habitantes por km2.

As Freguesias são também tipificadas de acordo com a sua densidade populacional mantendo-se o mesmo escalão utilizado para os Municípios. Porém no que concerne às Freguesias, estas são ainda classificadas em função da área, rural ou urbana. Assim, temos 3 tipos de Freguesias: Freguesias com a área predominantemente rural (APR), maioritariamente urbana (AMU) e predominantemente urbana (APU).

Daqui resulta a seguinte tipologia:










Esta classificação tem impacto nos critérios que norteiam a organização territorial da administração local, leia-se, a extinção ou agrupamento de Freguesias, como lhe queiram chamar.

Não querendo alongar-me em considerações técnicas, relativamente aos critérios base que orientam o novo mapa autárquico, importa porém demonstrar porque é que se vai extinguir ou agregar a Freguesia de Veiga de Lila com 261 habitantes (Censos 2011) e se mantém a Freguesia dos Vales com 260 habitantes (Censos 2011).

Valpaços está classificado como um Município de Nível 3, considerando que tem uma densidade populacional inferior a 100 habitantes por km2. Nos Municípios de Nível 3 os critérios de organização territorial das Freguesias contemplam as seguintes premissas:

1. Nas Sedes de Concelho, a existência de apenas uma Freguesia;

2. Em Freguesias com a Área Predominantemente Rural (APR) a existência de um mínimo de 500 habitantes por Freguesia;

3. Em Freguesias com a Área Maioritariamente Urbana (AMU) a existência de um mínimo de 1000 habitantes por Freguesia.

Existem no entanto duas excepções à regra mencionadas no ponto 2:

Nos Municípios onde se tenha verificado um decréscimo populacional superior a 10% na última década, comprovado pelo levantamento censitário realizado no corrente ano, o critério base para a manutenção da Freguesia com (APR) é a existência de um mínimo de 300 e não de 500 habitantes. Se a Freguesia se situar num raio superior a 15 Km da Sede do Município, o critério base passa a ser um mínimo de 150 habitantes.

Daqui resulta a agregação ou extinção da Freguesia de Veiga de Lila, que não perfaz o mínimo de 300 habitantes necessários para a existência da Freguesia nem se situa num raio superior a 15 km da Sede do Município.

Da mesma forma, mantém-se a Freguesia de Vales, que não perfazendo o mínimo de 300 habitantes necessários se situa num raio superior a 15 km da sede do Município.

Entendeu o Governo que com estas duas excepções, o mundo rural fica de certa forma mais preservado, uma vez que extinguir a Freguesia enquanto autarquia, seria nos casos especifícios "matar" a Freguesia enquanto comunidade.

Sábado, 1 de Outubro de 2011

Dia Mundial da Música



“Existe entre nós uma Banda Municipal, que encontrou especial apoio em Sesinando Chaves. Com os seus naipes bem equilibrados, sempre contou com bons executantes, já que em Valpaços as pessoas são geralmente bem dotadas para a música, tendo intuição e bom ouvido. Sempre presente nas festas e arruadas, dá concertos aos domingos no coreto do jardim Público, mimoseando os seus numerosos e interessados ouvintes com o seu eclético reportório. Fazem-se votos para que não desapareça, como já mais que uma vez tem acontecido, porquanto a música, para além de cultivar o espírito, exerce boa influência na morigeração dos costumes e dulcificação dos caracteres.”
In Monografia de Valpaços, por Augusto Veloso Martins, 2.ª Edição

A nossa Banda de Valpaços ainda existe, felizmente. Conta com excelentes executantes e tem um agradável repertório musical. O mesmo se pode dizer da Banda de Vilarandelo e da Banda de Carrazedo de Montenegro. Hoje, Dia Mundial da Música, porque não estão as nossas Bandas nos coretos dos Jardins Públicos de Valpaços, Vilarandelo e Carrazedo de Montenegro?

Sempre haveria mais gente na rua. Sempre haveria um pouco mais de movimento. Assinalar-se-ia um dia muito importante, jamais esquecido por um povo que preze a sua identidade cultural.

Porque é que os dias têm que ser todos iguais, quando são todos diferentes?

Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

Prioridades em tempos de crise!


Tenho muito respeito pelos nossos combatentes no Ultramar e por vezes dou comigo a imaginar o que sentiram esses milhares de jovens na flor da idade, com uma vida pela frente e muitos sonhos por cumprir, quando entre 1961 e 1974, embarcaram para África.

Não me parece que a melhor homenagem que o Estado e a sociedade possam prestar a todos estes homens que sacrificaram a sua vida pela pátria, seja elevar em cada vila ou cidade do Pais um monumento em sua memória.

No entanto, nada tenho contra os variados monumentos que existem no país, em memória dos heróis que outrora lutaram e sacrificaram as suas vidas pelos ideais nacionais que na altura vigoravam e com os quais muitos não se identificavam. Sendo Valpaços um Concelho, donde muito jovem partiu para África e onde hoje habitam muitos antigos combatentes, porque não poderia ter a nossa cidade um monumento ao combatente?

Nada contra e a questão não se colocaria se não vivêssemos tempos difíceis com tendência para se agravarem ainda mais se as prioridades da gestão pública não forem correctamente estabelecidas.

Valpaços desertifica de dia para dia. Não haverá outras prioridades? Não haverá outras áreas onde investir os parcos recursos públicos?

Se estas são as prioridades em tempos de crise, quando vai a crise acabar?

Estou certo que os antigos combatentes Valpacenses merecem toda a nossa gratidão e respeito. Por isso mesmo, qualquer monumento agora inaugurado, além de não resolver os seus problemas, será sempre insignificante perante a grandeza e a nobreza com que serviram a Pátria.

Sexta-feira, 26 de Agosto de 2011

Mais uma Festa!


Faz agora anos que no dia de hoje (sexta-feira do fim-de-semana anterior ao da Festa), Valpaços, fervilhava de emoção e agitação. Iniciavam-se as Festas da Vila e do Concelho, assim designadas, em honra de Nossa Senhora da Saúde.

A Festa abria precisamente na sexta-feira anterior à Festa de Vilarandelo, normalmente com um grande evento musical que atraia visitantes de toda a região, aproveitando também os muitos imigrantes que ainda se encontram por cá, ao contrário do que actualmente acontece, dado que a maior parte dos imigrantes vai-se embora neste fim-de-semana e como tal, na terça-feira o espectáculo de abertura nunca terá a gente que poderia ter, como antes acontecia quando as Festas se iniciavam na sexta-feira anterior.

Seguia-se um fim-de-semana com apenas actividades de carácter religioso, para não colidir com as Festas de Vilarandelo. Segunda-feira começava então a semana da Festa de Valpaços. Hoje, já não se pode falar em “semana da Festa”.

Honra seja feita aos Valpacenses, homens e mulheres, oriundos da sociedade civil, que durante anos e anos, contribuíram com o seu trabalho e o seu saber para enraizar na região a fama que as Festas de Valpaços granjearam. Vinha povo de todo lado, ver as famosas orquestras espanholas, as corridas de motas, a perícia automóvel que se realizava ao Domingo à tarde e que lamentavelmente terminou, para não falar no concerto de abertura que atraia povo aos magotes até Valpaços.

A verdade é que hoje a população não se organiza como antigamente. Perdeu-se o bairrismo e o dinamismo típico que o amor à camisola proporcionava. Tal também se deve à sociedade mais individualista e menos colectiva em que hoje vivemos e que em certa medida nos faz regredir em vez de evoluir.

Valpaços encontra-se numa encruzilhada difícil. A sociedade civil está enfraquecida, esvaziada, deprimente e sem qualquer iniciativa. Os políticos, tem que reflectir sobre esta problemática. Será preferível dar o impulso necessário para que a sociedade civil se volte a movimentar e a organizar ou ver a terra a definhar?

Há uns anos atrás, lembro-me de colaborar com outros Valpacenses, através do Motor Clube de Valpaços na organização do circuito motorizado e da perícia automóvel que entretanto também deixou de se realizar e tanta falta faz ao Domingo, como era tradição. 

O Motor Clube de Valpaços, acabou!

Há uns anos atrás, realizava-se na semana da Festa um Festival de Folclore que atraia imensa gente a Valpaços. Tal iniciativa estava já consolidada e era organizada pelo saudoso Grupo Cultural de Valpaços.

O Grupo Cultural de Valpaços acabou!

Os Bombeiros estão a arder em lume brando e passam neste momento por graves dificuldades financeiras.

Há uns anos atrás também havia uma oposição pujante, com garra e iniciativa. Num Concelho como Valpaços uma oposição forte e respeitável é além de saudável mais do que desejável.

Tudo isto são sinais do enfraquecimento da sociedade civil Valpacense.

Voltando às Festas da cidade, vou deixar a minha opinião e uma ou outra ideia que penso poderá também ajudar a combater a desertificação que neste momento assola as colectividades Valpacenses.

O que pensa a Autarquia das Festas da cidade?

Realizam-se apenas para que se cumpra a tradição ou constituem-se como um evento que visa dinamizar a cidade em termos económicos, culturais e sociais?

Esta questão faz toda a diferença. Porque se o Município apenas realiza a Festa para cumprir a tradição e porque os Valpacenses a deixaram de fazer, então, a Festa até pode começar na quarta-feira, com a Procissão da Senhora da Saúde até à Igreja Matriz e com o Concerto da Banda logo a seguir no Jardim Público.

Mas o que se vê nos restantes Municípios é que as Festas, organizadas pelas respectivas Autarquias, constituem-se como pólos de atracção e dinamizam económica e socialmente as respectivas comunidades. Neste sentido, eu penso, que o Município de Valpaços entende que a Festa de Valpaços não serve apenas para cumprir calendário nem tradição.

Vi imensos Valpacenses a passear nas Festas de Mirandela. Quantos Mirandelenses e Flavienses virão à Festa Valpaços?

Sendo o Município o principal promotor e organizador das Festas da cidade, a sociedade civil deveria também ser chamada a participar e a colaborar. Desde logo as instituições que têm saber e experiência na organização de eventos que em minha opinião devem continuar a existir na semana da Festa. Essa é também uma boa forma de dinamizar as próprias colectividades e envolver as pessoas na organização de uma Festa que é de todos. Compete ao Município dar esse passo. Chamar os Valpacenses e envolve-los na organização da Festa, como de certa forma acontece na organização da Feira do Folar.

Isto acontecia quando o Grupo Cultural organizava o festival de Folclore. Acontecia quando o Motor Clube de Valpaços organizava os desportos sobre rodas. Acontecia quando o Clube de Tiro Caça e Pesca organizava o torneio de tiro aos pratos. Acontece ainda hoje na organização da prova de Motocross organizada pelo Moto Clube “Os Valpacenses”, único exemplo do que defendo.

Assim sendo, uma noite para a Juventude, deveria ter lugar no cartaz da Festa. Um festival de bandas rock, organizado pelas próprias bandas rock da nossa terra. Este ano tal evento, apesar de apoiado pela autarquia, ficou incompreensivelmente fora do cartaz da Festa. Valpaços sempre teve tradição musical. Sempre teve jovens que gostaram de se organizar em conjuntos e grupos musicais. Os jovens já manifestaram vontade de realizar esse festival e merecem realiza-lo.

Ainda me lembro quando em 1989 participei na organização da I Mostra de Música Moderna do Alto Tâmega. Vieram bandas de Chaves, Boticas e Valpaços. A iniciativa não se repetiu por falta de apoio. Bem sei o quanto custa à juventude que gosta de tocar e não tem apoio nem hipótese de o fazer. Por lá passei e bem me lembro das dificuldades e da frustração que isso acarreta.

A iniciativa que se realiza na segunda-feira deve repetir-se e ser previamente programada para obter o sucesso que merece em próximas edições da Festa.

O Festival de Folclore deve regressar numa das noites. Há outros Ranchos e Grupos de Folclore no Concelho, subsidiados pela Autarquia.

Um Festival de Bandas de Música é também bem-vindo, com a prata da casa. Há 5 Bandas de Música no Concelho. As Direcções das próprias Bandas podem organizar tal evento.

O Torneio de Tiro aos Pratos deve ser ressuscitado e organizado pelo Clube de Tiro, Caça e Pesca de Valpaços. Há muito caçador a amante de tal modalidade no Concelho.

A prova de perícia automóvel deve regressar ao Domingo. Há Valpacenses que se disponibilizam a organizar tal evento, nos quais me incluo. Muita gente quer a prova de perícia novamente no Domingo à tarde. Era um ex-líbris da Festa de Valpaços.

Dito isto, apenas me falta dizer que se de facto queremos marcar a diferença e atrair pessoas à nossa terra, o concerto de abertura da Festa deve realizar-se na tal sexta-feira antes da Festa de Vilarandelo como sempre aconteceu e ter um nome sonante do panorama musical Português. Custa dinheiro, pois custa, mas trás milhares a Valpaços que nessa noite dinamizarão economicamente a cidade. Também muitos imigrantes ainda cá estão ao contrário do que sucederá na terça-feira.

No Sábado, a tradição é o que era. Faça-se o circuito motorizado, a Procissão, o arraial e bote-se fogo.

Organizar a Festa de Valpaços nestes moldes, apenas necessita de diálogo. Dialogo entre o Município e as instituições, que deverão ser convocadas para participarem na organização das Festas de Valpaços. Afinal, essa é uma via para manter as instituições vivas e ao mesmo tempo realizar uma semana de Festa com o espírito que outrora se viveu e que tanto sucesso conferiu à Festa de Valpaços.

A Festa de Valpaços, não era apenas, mais uma Festa!


Segunda-feira, 4 de Julho de 2011