Cumpriu-se a tradição. Valpaços engalanou-se para comemorar mais uma Festa em honra de Nossa Senhora da Saúde. O momento alto aconteceu, como sempre, na Procissão, que atrai milhares de pessoas. É arrepiante o momento em que a Santa entra na centenária Capela, cuja primeira pedra foi lançada em 1897 sob o leme do Dr. José de Castro Lopo.
Creio que durante esta década se andou e de certa forma ainda anda a procurar um modelo de festa que agrade um pouco a toda a população, conjugando tradição e evolução. Conforme
aqui foi dito há um ano atrás, o modelo parece estar encontrado e a funcionar, embora em minha opinião, possa ainda ser melhorado.
Destacou-se positivamente a organização do XXVI Festival de Folclore que atraiu como sempre muita gente ao jardím público. Também o 54.º circuito motorizado primou pela boa organização, constituindo-se como uma referência da Festa de Valpaços.
Noutros tempos, a festa abria com um grande concerto, sexta-feira, uma semana antes do fim-de-semana principal. Penso que o concerto assentava que nem uma luva nessa sexta-feira, este ano, dia 28 de Agosto. Com a devida promoção e divulgação atrairia muita gente a Valpaços. Mas tragam outro, porque o João Pedro Pais não mudou o reportório de há 4 anos para cá e a malta já conhece o espectáculo de trás para a frente.
O Sábado é sempre o Sábado. Estavam milhares de pessoas no Santuário e o maior arraial transmontano parece estar novamente na ribalta. Aposta-se num artista pimba com nome na praça, culminando a noite com um magnifico espectáculo pirotécnico, este ano com menos qualidade do que no ano passado. E depois? Depois, é ver o povo, a vir por ai abaixo. Ainda não são duas da manhã e a Festa parece ter terminado. Contam-se pelos dedos os que ficam no Santuário, cada vez menos apelativo e a precisar de obras. O recinto da forma como está não apresenta condições para o que quer que seja. Já alguém olhou bem para o sítio que serve de palco aos artistas? Um dia aquilo vem abaixo com tanta vibração de som. A autarquia paga o artista, não paga? Então, deve criar condições para abordar a Paróquia no sentido de se promoverem obras no antigo recinto, tentando fazer-se um espaço amplo, criando-se condições para realizar o espectáculo nesse espaço.
A perícia nocturna é engraçada, mas penso que se deve restaurar a tradição e fazer regressar a gincana à tarde de Domingo, para promover o movimento que outrora se verificava nessa tarde. O ciclismo, é uma iniciativa válida, que não se deveria perder. Poderia bem acontecer numa outra altura do ano. Afinal, precisamos de mais dinamismo e actividades desportivas, culturais e recreativas ao longo do ano, tantas vezes tão amorfo.
A festa esteve boa. Para mim e já tive oportunidade de o dizer, a festa de Valpaços é um encontro de amigos e famílias, cujo convívio salutar se enobrece e renova todos os anos. Estas minhas palavras encontram o seu melhor eco na sexta-feira antes da festa, quando Valpacenses vindos de todo o lado se encontram uns com os outros. Na sexta-feira basta que haja animação de rua, um espectáculo com artistas da terra, porque a noite faz-se com esse espírito.
Não podemos deixar de olhar para a Festa de Valpaços, como um evento capaz de afirmar e promover a Cidade e o Concelho no contexto regional. Para que isso aconteça é preciso apostar.
A tradição diz que Valpaços tem uma, senão a melhor festa da região. Cumpriu-se a tradição e notou-se evolução.